Julho Amarelo: o que o Serviço Social tem a ver com isso?

Descubra como assistentes sociais atuam no Julho Amarelo promovendo prevenção, orientação e cuidado contra as hepatites virais.

Julho não é apenas mais um mês no calendário das campanhas de saúde pública.

A Lei nº 13.802/2019 oficializou o Julho Amarelo como marco nacional de prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais, mobilizando serviços, profissionais e comunidade para enfrentar um problema silencioso e crescente.

Hoje, o Brasil já ultrapassa 780 mil casos confirmados de hepatites A, B, C, D e E registrados entre 2000 e 2023, com os tipos B e C respondendo pela maioria das notificações.

Esse cenário atinge de forma desproporcional pessoas em situação de rua, dependentes químicos, população privada de liberdade e comunidades ribeirinhas, grupos que convivem com barreiras extras que dificultam ou impedem o acesso à informação, tratamento e adesão ao cuidado.

Onde o assistente social faz diferença?

Na saúde


O primeiro passo é traduzir o “tecniquês” médico em rodas de conversa nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) ou nas Unidades de Saúde da Família, usando linguagem simples e materiais visuais.

Depois, organize busca ativa para vacinação (hepatite B) e testes rápidos, integrando-se a mutirões de cidadania ou às agendas da atenção básica.

Em seguida, elabore planos de acompanhamento para quem inicia tratamento: transporte, alimentação, documentos e vínculos familiares precisam andar junto com os antivirais.

Por fim, acompanhe a entrega de resultados e garanta que o usuário compreenda cada passo do fluxo no SUS, evitando abandono.

Na assistência social


Enquanto isso, mapeie nos CRAS/CREAS famílias que convivem com hepatites crônicas e que são elegíveis à solicitação de benefícios de transferência de renda, auxílio-doença ou isenção de carência no INSS.

Em albergues, comunidades terapêuticas e abrigos, estimule oficinas de redução de danos, abordando a higiene de materiais perfuro-cortantes, autocuidado e direitos humanos.

Use visitas domiciliares para verificar saneamento básico; quando faltar água tratada ou esgoto, articule com secretarias de obras ou companhias de água.

Por último, fortaleça as redes comunitárias, como igrejas, coletivos de mulheres, ONGs, entre outras, para manter o tema vivo o ano inteiro.

Estratégias que geram engajamento

  • Quizzes nas redes do serviço: “Você sabe quantas doses tem a vacina da hepatite B?”
  • Cartazes com QR Code para o Disque Saúde 136, facilitando dúvidas em tempo real.

Integração que transforma

Reuniões mensais entre Atenção Básica, Vigilância em Saúde e Proteção Social Básica criam um canal único de dados sobre testagens, vacinações e acompanhamentos.

De posse dessas informações, leve evidências aos Conselhos Municipais de Saúde e de Assistência Social e cobre recursos para unidades móveis de testagem em bairros periféricos.

Chamada à ação

No 28 de julho, Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, lance a campanha local “Quem ama, cuida do fígado: teste, trate, viva!”.

Convide agentes comunitários, influenciadores do bairro e lideranças religiosas.

Cada conversa quebra o silêncio sobre as hepatites e devolve dignidade a quem costuma ficar para trás.

Em síntese, o Julho Amarelo convida o Serviço Social a atravessar paredes institucionais, abrir portas invisíveis e garantir que ninguém seja barrado no acesso a informação, diagnóstico e tratamento.

Afinal, saúde sem barreiras é, antes de tudo, justiça social.

Gostou? Compartilhe!

redacao@sesonoticias.com.br

Sugestão de pauta

Bloco Publicidade

Veja também

Siga nosso Telegram

Acompanhe notícias do Serviço Social de todo o Brasil.