Lei Maria da Penha completa 20 anos: Serviço Social reforça compromisso com a proteção das mulheres

Aos 20 anos, Lei Maria da Penha reforça desafios no combate à violência contra mulheres e destaca o papel estratégico do Serviço Social.

Em agosto de 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos.

Nesse período, tornou-se uma referência no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Para o Serviço Social, a legislação também integra a atuação profissional comprometida com a defesa dos direitos humanos, da autonomia das mulheres e do enfrentamento às diferentes formas de violência.

Segundo a conselheira do CFESS Milena Barroso, assistentes sociais precisam conhecer a legislação e contribuir para sua efetiva aplicação, especialmente diante do crescimento dos casos de feminicídio.

Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e do Instituto Locomotiva aponta que 54% das brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro.

Feminicídios em crescimento

Dados apresentados pelo CFESS mostram que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, número 4,7% superior ao ano anterior.

Já no primeiro semestre de 2026, dados do Ministério da Justiça apontaram 741 casos.

Além disso, o medo ainda dificulta as denúncias. Segundo a pesquisa citada, 68% das mulheres têm receio de sofrer represálias após denunciar.

Para o CFESS, o enfrentamento à violência exige mais do que punição. Também envolve políticas públicas, autonomia econômica, educação e combate às desigualdades estruturais.

E o Serviço Social nesse contexto?

Assistentes sociais estão presentes em diferentes políticas e serviços que atendem mulheres em situação de violência.

A atuação envolve acolhimento, escuta qualificada, avaliação de riscos, orientação sobre direitos, prevenção e articulação da rede de proteção.

Outro aspecto fundamental é evitar práticas que responsabilizem ou culpabilizem a mulher pela violência sofrida.

O atendimento deve respeitar sua autonomia, garantir sigilo e facilitar o acesso aos serviços necessários para sua proteção.

É necessário se perceber na violência

Um dos desafios identificados no atendimento é fazer com que as mulheres reconheçam situações de violência que não envolvem agressões físicas.

Violências psicológica, moral e patrimonial também podem provocar graves impactos, embora muitas vítimas tenham dificuldade de reconhecê-las.

Além disso, profissionais precisam evitar a revitimização, inclusive impedindo que a mulher seja obrigada a repetir inúmeras vezes o relato da violência.

O fortalecimento da rede de atendimento e de políticas que ampliem a autonomia feminina continua sendo essencial.

O que muda com o vicaricídio?

O vicaricídio ocorre quando filhos, parentes ou pessoas próximas são usados como alvo de violência para provocar sofrimento, punição ou controle sobre uma mulher.

Segundo o texto do CFESS, a Lei nº 15.384/2026 passou a tipificar essa conduta e promoveu alterações em diferentes legislações brasileiras.

A discussão também chama atenção para situações nas quais filhos e filhas são utilizados como instrumentos de controle e violência psicológica contra mulheres.

O CFESS também reafirma seu posicionamento pela revogação da Lei da Alienação Parental e alerta para seus impactos em situações envolvendo violência contra mulheres, crianças e adolescentes.

Quem é Maria da Penha?

Maria da Penha Maia Fernandes é farmacêutica e ativista pelos direitos das mulheres.

Em 1983, sofreu duas tentativas de feminicídio praticadas pelo então marido, ficando paraplégica.

A demora do Estado brasileiro na responsabilização do agressor levou o caso ao sistema interamericano de direitos humanos.

Sua trajetória e a mobilização dos movimentos feministas contribuíram para a criação da Lei nº 11.340/2006, que passou a levar seu nome.

A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Além disso, estabelece medidas de prevenção, assistência e proteção às vítimas.

Quer entender melhor os 20 anos da Lei Maria da Penha, os desafios atuais e o papel de assistentes sociais no enfrentamento à violência contra as mulheres?

Leia a matéria completa no site do CFESS e confira as análises e entrevistas com as profissionais ouvidas pelo Conselho.

Gostou? Compartilhe!

redacao@sesonoticias.com.br

Sugestão de pauta

Bloco Publicidade

Veja também

Siga nosso Telegram

Acompanhe notícias do Serviço Social de todo o Brasil.