Serviço Social brasileiro se despede de Maria Carmelita Yazbek

Referência na formação de gerações de assistentes sociais, professora e pesquisadora deixa contribuição histórica para o pensamento crítico, a assistência social e as políticas sociais no Brasil.

O Serviço Social brasileiro perdeu uma de suas maiores referências.

Maria Carmelita Yazbek faleceu aos 84 anos, deixando uma trajetória profundamente ligada à história, à formação e à consolidação do pensamento crítico da profissão no país.

Professora, pesquisadora, assistente social e autora de extensa produção acadêmica, Yazbek dedicou décadas ao estudo do Serviço Social, da questão social, da pobreza, das classes subalternas, da assistência social e das políticas sociais.

Sua produção tornou-se referência na formação de sucessivas gerações de assistentes sociais, estudantes, docentes e pesquisadores.

Sua história esteve fortemente vinculada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde ingressou como docente em 1973.

Foi uma das fundadoras e decana do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da instituição, contribuindo para consolidar uma tradição de pesquisa e formação crítica que ultrapassou as fronteiras brasileiras.

Carmelita Yazbek também teve participação fundamental na organização acadêmica e política da profissão.

Presidiu a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) e participou de um período decisivo de revisão da formação profissional, contribuindo para o enfrentamento de perspectivas conservadoras e para o fortalecimento da renovação crítica do Serviço Social brasileiro.

Sua contribuição alcançou ainda outros países da América Latina por meio do ensino, da pesquisa, da cooperação acadêmica e da formação de profissionais.

Em 2024, a ABEPSS destacou sua trajetória ao anunciar a concessão do Título de Professora Emérita, reconhecendo décadas de dedicação e pioneirismo.

Mais do que uma importante produção bibliográfica, Carmelita deixa uma forma de compreender o Serviço Social: comprometida com a leitura crítica da realidade, com a defesa dos direitos sociais e com a compreensão das desigualdades como expressões de processos históricos e sociais, e não como problemas individuais.

Para milhares de assistentes sociais, seu nome está presente nos livros estudados durante a graduação, nos debates sobre pobreza e assistência social, nas pesquisas acadêmicas e nas reflexões que ajudam a compreender o trabalho profissional diante das desigualdades brasileiras.

Sua partida deixa uma lacuna imensa, mas também um legado que continuará presente na formação, na pesquisa e no cotidiano profissional de novas gerações de assistentes sociais.

O Seso Notícias manifesta seu pesar e solidariedade aos familiares, amigos, estudantes, colegas e a toda a comunidade do Serviço Social.

Maria Carmelita Yazbek, presente na história e na memória do Serviço Social brasileiro.

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redacao@sesonoticias.com.br

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