Você já parou para pensar no que significa celebrar 20 anos do SUAS em um Brasil que muda tão rápido?
A 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, com o tema “20 anos do SUAS: construção, proteção social e resistência”, é o nosso convite para mergulhar nesse debate, não como espectadores, mas como protagonistas.
Primeiramente, vale reforçar: as conferências não são mero protocolo.
Elas são o coração pulsante da participação social que sustenta o SUAS.
Quando gestoras/es, trabalhadoras/es, entidades da sociedade civil e, principalmente, usuárias/os sentam à mesma mesa, criamos um laboratório vivo de democracia.
Participar é, portanto, uma estratégia concreta de defesa de direitos e de atualização do projeto ético-político do Serviço Social.
Eixo 1 — Universalização com equidade e respeito às diversidades
Aqui o desafio é ousado: ampliar a cobertura do SUAS sem perder de vista quem mais precisa.
Pense nos novos rostos da vulnerabilidade, da insegurança alimentar à justiça climática.
Avaliar os 20 anos de implantação, estabelecer padrões de cobertura territorial e enfrentar desigualdades de raça, gênero, território ou deficiência exige que os assistentes sociais atuem como pontes entre dados da Vigilância Socioassistencial e a voz das comunidades.
Se não defendermos a universalização agora, corremos o risco de retroceder em conquistas históricas.
Eixo 2 — Inovação, gestão descentralizada e valorização profissional
Você já imaginou um SUAS ágil, capaz de responder a emergências sociais em tempo real?
Esse eixo convida à modernização de sistemas e processos, mas também põe o dedo na ferida das condições de trabalho.
Sem a valorização prevista na NOB-RH, não há inovação que se sustente.
Portanto, ao propor metodologias baseadas em Vigilância Socioassistencial, questione: como garantir autonomia municipal sem sacrificar a qualidade?
A resposta passa por pactuação federativa bem amarrada e carreira digna.
14ª Conferência Nacional de Assistência Social: 20 anos de SUAS em debate
Eixo 3 — Integração de benefícios e serviços socioassistenciais
Benefícios isolados não mudam destinos; serviços fragmentados não libertam famílias da pobreza.
Integrar é a palavra de ordem.
Isso significa alinhar o Cadastro Único, programas de transferência de renda e a rede de serviços para oferecer segurança de renda ao lado de acompanhamento socioassistencial.
O profissional de Serviço Social precisa dominar ferramentas de planejamento territorial e, ao mesmo tempo, desenvolver sensibilidade para enxergar barreiras invisíveis de acesso.
Afinal, que inclusão é essa se ainda deixamos pessoas para trás?
Eixo 5 — Sustentabilidade financeira e equidade no cofinanciamento
Nada disso avança sem dinheiro, e dinheiro bem distribuído.
Este eixo chama atenção para o cofinanciamento regular e automático, sobretudo em um cenário de Novo Arcabouço Fiscal e Reforma Tributária.
A pergunta que fica: como garantir que recursos cheguem onde a vulnerabilidade é maior?
A resposta depende de controle social afiado, transparência na gestão e pressão técnica qualificada nos processos orçamentários.
Em síntese, cada eixo revela uma peça do quebra-cabeça que definirá o SUAS dos próximos 10 anos.
Profissionais e estudantes de Serviço Social têm papel decisivo: desde participar das conferências municipais até levar propostas embasadas em evidências e experiências de campo.
Agora é a hora de transformar análises em ação.
Caso contrário, qual será o legado que deixaremos para o 30º aniversário do SUAS?
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