O Serviço Social possui décadas de história no Brasil, mas, ainda hoje, circulam equívocos que atrapalham a valorização da profissão.
Antes de mais nada, vale lembrar: mitos se espalham rápido, sobretudo em tempos de redes sociais.
Por isso, desvendá-los é essencial para fortalecer nossa identidade profissional e garantir informação de qualidade para estudantes, concurseiros e demais leitores.
1. “Assistente social é voluntário que faz caridade.”
Para começo de conversa, a profissão é regulamentada pela Lei 8.662/1993.
O exercício requer diploma superior e registro no CRESS.
Logo, não se confunde com trabalho voluntário nem com filantropia esporádica.
2. “Basta gostar de ajudar pessoas para exercer a função.”
Gostar de pessoas ajuda, mas não basta.
Além da formação acadêmica, há competências técnico-operativas e éticas que exigem estudo permanente.
Em outras palavras, vocação sem qualificação não resolve.
3. “Serviço Social só distribui cesta básica.”
Embora a garantia de acesso a benefícios eventuais faça parte da rotina de muitos profissionais, o campo de atuação vai muito além: saúde, Judiciário, habitação, políticas públicas, setor privado,área militar, entre outros.
4. “Assistente social faz terapia, igual psicólogo.”
Apesar de haver escuta qualificada, o objetivo do trabalho profissional é intervenção socioeconômica – não psicoterapêutica.
O profissional articula direitos, políticas públicas e rede de proteção social.
5. “Não existe piso salarial, cada empregador paga o que quer.”
Conforme orientações do CFESS, existem referenciais de piso (geralmente vinculados à jornada de 30 h).
Além disso, sindicatos estaduais negociam valores específicos em convenções coletivas.
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6. “A rotina é só visita domiciliar.”
Sem dúvida, visitas são importantes; contudo, o cotidiano inclui elaboração de relatórios, coordenação de projetos, pesquisa social, capacitação de equipes, análise de indicadores e participação em conselhos de direitos.
7. “Serviço Social é coisa de prefeitura; não há vaga na iniciativa privada.”
Ao contrário, cresce a demanda em hospitais particulares, empresas, seguradoras e organizações do terceiro setor, sobretudo após a expansão de programas de diversidade, inclusão e responsabilidade social.
8. “Avaliação social se resume a preencher formulários.”
Formulário é ferramenta, não fim. A avaliação envolve investigação crítica do contexto, entrevistas qualificadas e fundamentação teórico-metodológica.
9. “Tecnologia não tem lugar no cotidiano do assistente social.”
Devido à transformação digital, é cada vez mais comum usar prontuário eletrônico, BI para indicadores, ferramentas de gestão de casos e mesmo análise de big data para planejar políticas públicas.
10. “Estagiário pode assinar parecer técnico.”
De jeito nenhum. Parecer social é ato privativo de profissional registrado.
O estagiário atua sob supervisão, conforme a Lei 11.788/2008 e o Código de Ética.
11. “Todo atendimento é sigiloso, sem exceção.”
Em regra, sim. Contudo, existem limitações legais ao sigilo, como a notificação compulsória de violência contra crianças, adolescentes e mulheres, conforme legislações específicas.
12. “A profissão se resume a cobrar benefícios no INSS.”
Embora a Previdência seja um empregador tradicional, o alcance do Serviço Social vai da formulação de políticas até a educação em direitos, incluindo mobilização comunitária.
Por que esses mitos sobrevivem?
Primeiramente, falta de informação atualizada.
Além disso, o senso comum costuma simplificar temas complexos.
Somado a isso, parte da mídia reproduz estereótipos.
Portanto, cabe aos profissionais produzir conteúdo qualificado – e aqui você encontra um bom ponto de partida para dialogar com colegas, gestores e estudantes.
Como usar este artigo no seu dia a dia?
- Compartilhe nos grupos de estudo e nas redes sociais para ampliar o debate.
- Inclua as verdades correspondentes em palestras ou oficinas sobre profissão.
- Sugira que docentes transformem cada mito em pergunta de revisão para concursos.
Em suma, desmistificar é fortalecer: quanto mais pessoas conhecem a essência do Serviço Social, maior é o respeito às atribuições profissionais e melhor é a qualidade dos serviços oferecidos à população.
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